Trigo perde espaço para outras culturas no Rio Grande de Sul
El Niño preocupa triticultores gaúchos
Foto: Divulgação
A semeadura do trigo começou de forma ainda limitada no Rio Grande do Sul, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola para os principais materiais utilizados no estado. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (21).
Segundo o relatório, as condições de tempo seco favoreceram os trabalhos de manejo de resteva, dessecação e implantação das primeiras áreas da cultura. Apesar disso, produtores mantêm cautela em relação à safra 2026 diante do aumento dos custos de produção, restrições no acesso ao crédito rural e incertezas climáticas associadas à possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, há tendência de redução da área cultivada no estado, motivada pela menor expectativa de rentabilidade e pela substituição do trigo por outras alternativas de inverno, como canola, aveia e plantas de cobertura.
O levantamento também aponta sinais de redução no nível tecnológico empregado nas lavouras, com aumento no uso de sementes próprias e menor procura por sementes fiscalizadas. “A demanda por sementes fiscalizadas segue reduzida, e as cooperativas e empresas sementeiras mantêm elevado volume de estoque. Em contrapartida, observa-se uso expressivo de sementes salvas nas propriedades”, informou o boletim.
A estimativa oficial da área destinada ao trigo na safra 2026 ainda está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares da cultura, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção de 3,45 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Na região administrativa de Bagé, especialmente na Fronteira Oeste, o tempo seco e a abertura da janela de semeadura permitiram o início da implantação das lavouras.
Em São Borja, o excesso de chuvas registrado em abril dificultou a antecipação do plantio, estratégia utilizada em anos anteriores para reduzir riscos climáticos durante a primavera.
Na regional de Ijuí, os produtores seguem realizando manejo de plantas espontâneas enquanto aguardam definição sobre a área a ser cultivada. O cenário econômico e climático ainda pesa nas decisões de investimento para a próxima safra.
Além disso, as plantas de cobertura apresentam bom desenvolvimento na região, com destaque para o nabo-forrageiro.
Já na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge cerca de 1% da área projetada. As primeiras áreas foram implantadas principalmente por agricultores menos dependentes de financiamento e em regiões com menor risco de geadas.
Segundo a Emater/RS-Ascar, há projeção de redução de aproximadamente 20% na área cultivada com trigo em relação à safra passada. Entre os fatores apontados estão a substituição da cultura por canola, aveia-branca, mix de plantas de cobertura e sistemas integrados com milho precoce seguido de soja safrinha.
O relatório também destaca que produtores que permanecerão no cultivo tendem a reduzir investimentos tecnológicos ao longo do ciclo produtivo.